Desilusões de 2021

Pensando bem, não me posso queixar muito do ano de 2021. Mantive o emprego, nem eu nem ninguém da minha família passou mal com o bicho e ainda comprei um apartamento com o meu namorado. Por outro lado, ainda não consegui juntar um cão à família, não comprei uma mansão em Malibu e o Jackie Chan ainda não me contactou para marcarmos um encontro. Portanto, também não foi um ano espectacular.

Em termos literários, acho que foi um ano muito positivo. Mais uma vez consegui alcançar a minha meta do Goodreads, lendo 57 livros dos 45 que me tinha proposto. Para além disso, fiz grandes leituras, qualitativamente falando, como poderão ter lido aqui e aqui. Mas nada é perfeito (talvez só a Pizza Hut) e também é importante falar das coisas menos boas. Vou deixar os livros de que não gostei nada para uma próxima publicação, hoje partilho apenas os títulos para os quais eu tinha algum tipo de expectativa que acabou por não ser correspondida, por uma ou outra razão.


  • D. Maria II (Isabel Stilwell) – Esta é uma autora de renome em Portugal no domínio do romance histórico e foi por essa mesma razão que parti com altas expectativas para este livro, a minha estreia com Isabel Stilwell. Infelizmente acabou por ser das leituras mais tediosas e frustrantes que fiz em 2021 mas, verdade seja dita, estou convencida de que a culpa disso foi mais da própria D. Maria II e da sua desagradável personalidade do que da escrita da autora. Podem ler a minha opinião mais detalhada aqui.

  • The End of Her (Shari Lapena) – O ano passado li dois livros da Shari Lapena, este e o “The Couple Next Door”. Infelizmente não gostei particularmente de nenhum mas o “The End of Her” tem de figurar nesta lista porque foi um dos poucos livros que levei comigo para as férias de Verão e que me deixou de mau humor durante umas horas. Pensei que fosse ser uma leitura instigante e cativante para ler à beira da piscina mas acabou por ser só mais um daqueles thrillers povoados pelo clássico melodrama americano com a família linda, rica e maravilhosa e os seus problemas obscuros que poderiam eventualmente ser facilmente resolvidos se as pessoas investissem um pouco tempo a conhecer melhor o seu parceiro e dialogar com ele para resolver os conflitos. Um enredo já algo mastigado de mais para o meu gosto.

  • Vitória (Daisy Goodwin) – Mais um romance histórico nesta lista, para meu grande desgosto. Apesar da sua grande fama, confesso que sei muito pouco sobre a Rainha Vitória de Inglaterra e por isso parti com muito entusiasmo para esta leitura. E eu sei que o subtítulo do livro é “A Jovem Rainha” mas honestamente pensei que a história fosse abarcar um período algo alargado do início do reinado de Vitória e não os singelos dois anos a que o livro dá destaque. Dedica-se muito mais tempo a entabular uma relação quase romântica entre a rainha e o seu primeiro ministro do que realmente a explorar alguma coisa sobre o contexto político social de Inglaterra ou mesmo sobre a verdadeira vida amorosa da monarca. Aprendi mais nas minhas múltiplas incursões à Wikipedia do que com esta leitura e num romance histórico não interpreto isso como um bom sinal. Mas deixo-vos uma opinião mais detalhada aqui.


  • Before She Knew Him (Peter Swanson) – Não, este ainda não é o título que vem destronar o lugar do “The Kind Worth Killing” como melhor livro do Peter Swanson (será que virá algum?). E não é que “Before She Knew Him” seja intragável ou seja um mau livro; esta é daquelas histórias em que sabemos desde o início quem é o culpado do crime e a narrativa progride à medida que a protagonista vai ficando cada vez mais perto da verdade e que chegue ao confronto final. O ritmo não é lento, a reviravolta apanhou-me desprevenida e a conclusão até chegou a ser satisfatória. Foi mesmo a estrutura de que não gostei porque, pessoalmente, não nutro grande interesse por livros em que sabemos logo à partida quem é o mau da fita.

  • A Paciente Silenciosa (Alex Michaelides) – Este livro anda nas bocas do mundo desde 2019 e por isso quase dispensa apresentações. E, por mim, também dispensa todos os grandes louvores que lhe têm sido feitos porque é, de forma geral, um livro bem fraco e decepcionante. A história está dependente de chegar ao clímax e deixar o leitor totalmente abismado com a grande surpresa que ninguém espera – o seu grande trunfo. E normalmente é assim que os thrillers funcionam; este também poderia ter resultado se todo o resto do livro não perdesse o sentido depois da grande revelação. É, de facto, inesperada, mas depois de reflectirmos um pouco e relembrarmos o que lemos até então, começamos a questionar a lógica de alguns diálogos e de alguns comportamentos de personagens que não batem a bota com a perdigota. E foi provavelmente esta sobreanálise final que me impediu de gostar tanto da obra mas por isso consigo perceber por que é que para algumas pessoas este é um dos melhores livros do ano. A bela da subjectividade.

  • O Livro das Lendas (Selma Lagerlof) – Um livro no qual eu provavelmente nunca pegaria tão cedo se não tivesse sido escolhido como título do mês do clube de leitura a que agora pertenço, em Coimbra. Mas não foi por isso que fui com menos expectativa para este livro de contos da primeira mulher a ganhar o Prémio Nobel da Literatura. Lamentavelmente este não foi um daqueles casos em que por uma única obra ficamos deslumbrados com um novo autor mas estou convencida de que este também não seja o livro mais memorável da Selma. Houve um par de contos de que de facto gostei mais e que são passíveis de me ficar na cabeça durante algum tempo mas, de forma geral, não é uma colectânea inolvidável que me deixe com vontade de a reler alguma vez. Mais rapidamente me viro para outros clássicos da autora como “A Viagem Maravilhosa de Nils Holgersson” ou “A Saga de Gösta Berling”.

Em termos de desilusões literárias ficamos por aqui e até com alguma variedade de géneros: thriller, romance histórico e clássico. Resta aguardar pela última lista deste balanço de final de ano – os piores de 2021 – e adianto já que, nesse caso, a variedade de género já não é a palavra de ordem. Parece que o ano passado não me sorriu muito no que toca a thrillers… mas para a próxima falamos disso.


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