Depois de falar dos poucos livros que me desiludiram em 2023, é altura de avançarmos para coisas boas e falarmos daquelas leituras que realmente me iluminaram o ano. Temos géneros muito diferentes e os lugares mais cimeiros acredito que se tenham tornado o que alguns apelidam de “livro da vida” mas, independentemente disso, são tudo nomes que estão mais do que recomendados pela minha pessoa. Ora vejam:

The Stand, Stephen King

Stephen King é dos meus autores preferidos por isso não percebo por que é que me restrinjo a ler apenas um ou dois livros dele por ano (até porque o homem publica um novo livro anualmente). Este calhamaço (traduzido em português para “A Dança da Morte” e dividido em dois) é das obras mais aclamadas do autor e agora percebo porquê. História original (lembremo-nos que foi escrito na década de 70), um leque de personagens cativantes e toda a típica descrição do lore norte-americano que Stephen King tanto faz e que eu adoro. Apesar de ser gigante, eu teria lido mais 1000 páginas desta história, sem qualquer hesitação.

Uma Coluna de Fogo, Ken Follett

“Os Pilares da Terra” são sem dúvida das minhas séries preferidas de romance histórico, se não mesmo a preferida. A sequela “Mundo Sem Fim” foi igualmente boa mas este terceiro volume supera, talvez por cada vez avançarmos mais no tempo e estarmos agora a deixar para trás a Idade Média e a entrar finalmente na Idade Moderna. A catedral de Kingsbridge vai perdendo protagonismo à medida que a própria religião o perde também, ainda para mais neste calhamaço maioritariamente dedicado às revoltas do protestantismo contra o cristianismo. Um livro cheio de acção e episódios históricos e um final feliz (maioritariamente), tudo o que eu gosto.

Sangue Turvo, Robert Galbraith

É chocante para mim o facto de não existir ainda neste blog uma menção à serie deste pseudónimo de J.K.Rowling. Porque é uma série policial – não thriller – que eu tenho acompanhado com prazer desde o início. Este é o quinto livro da colecção e que se tornou o meu preferido. Embora a relação entre os dois detectives protagonistas continue empenada, o mistério é muito envolvente e difícil de prever. O livro é gigante (claramente sou menina de calhamaços) mas eu nenhum momento a narrativa pareceu arrastar-se, na minha opinião. No que toca a policiais, sem dúvida o melhor do ano.

A Boneca de Kokoschka, Afonso Cruz

A minha feliz estreia com este autor português. Quando peguei nele, nem me passava pela cabeça que existia a possibilidade de ele vir a figurar a lista de melhores do ano, ainda para mais sendo um livro com um formato “fora da caixa”, não a clássica prosa a que estou habituada. Escrita belíssima e surpreendentemente engraçada (apesar da temática trágica) aparece aqui com todo o mérito. Podem ler a minha opinião completa aqui.

Pensar, Depressa e Devagar, Daniel Kahneman

Um livro de não ficção que queria ler há anos, o que finalmente aconteceu. É difícil explicar sobre o que é ou por que é que gostei tanto de o ler (bem, basicamente porque aprendi imenso) e provavelmente nunca verão uma opinião dedicada a ele simplesmente porque não sou erudita o suficiente para o fazer. Foi uma leitura técnica que se arrastou por muitas semanas mas que me abriu os horizontes e me fez começar a pensar de forma diferente e mais ponderada sobre tantas decisões que nos vão eventualmente surgir ao longo da vida. Recomendo que pesquisem sobre o livro (o autor viria a ganhar o Prémio Nobel da Economia) e leiam, se vos interessar.

A Trança de Inês, Rosa Lobato de Faria

O primeiro livro que li em 2023 e que se aguentou firme como favorito. Mais uma estreia com uma autora portuguesa que correu muito bem. Acho que quem gosta de uma escrita mais lírica e gosta de história não tem como não gostar deste pequeno livro. É um reconto da lenda de D. Pedro e Inês de Castro que transcende o tempo e se repete em três épocas diferentes – passado, presente e futuro. Malta que leu comigo o livro no clube de leitura não ficou muito fã e eu percebo, nem sempre é uma estrutura fácil de acompanhar. Os interessados poderão ler mais sobre a minha opinião aqui.

Desenhos Ocultos, Jason Rekulak

Mais um livro de um clube de leitura, neste caso do Patreon da Dora Santos Marques. É raro um thriller aparecer na minha lista de melhores do ano (normalmente vão para a lista dos piores) o que torna “Desenhos Ocultos” uma recomendação ainda mais surpreendente. De certeza que todos ouviram falar dele, o livro com ilustrações aterradoras de uma criança de 5 anos com um amigo imaginário que pode ou não ser um espírito maligno. E esta espécie de sinopse não fez jus nenhum à história; simplesmente acreditem em mim e leiam a obra.

The Help, Kathryn Stockett

Mais um livro do clube de leitura da Dora, desta vez praticamente um clássico contemporâneo que me levou uns oito anos para lhe pegar, sabe Deus porquê. Muitos conhecerão a brilhante adaptação cinematográfica com a Viola Davis mas o livro é igualmente brilhante e merecedor de atenção. Uma história intensa e quase perigosa que nos deixa em pulgas para chegar ao desfecho, que chega lentamente. Tendo em conta o panorama diria que o final talvez seja cor-de-rosa demais, mas a realidade às vezes é assim mesmo e quem sou eu para questionar essa decisão.

O Crime do Padre Amaro, Eça de Queirós

Antes de mais é preciso agradecer à RTP e à sua recente exibição da nova série “O Crime do Padre Amaro” de que tanto gostei e me inspirou a ler este clássico português. A sinopse já todos conhecemos e a mestria do Eça só adiciona humor e profundidade a esta comédia tão trágica. Alguns episódios da série deixaram-me confusa/preocupada e foi com satisfação que me apercebi que não só ou não existem no original ou são muito mais bem explorados e desenvolvidos. Uma obra exímia que me fez sentir saudosa das publicações portuguesas do antigamente, e que me inspirou a provavelmente começar a ler Júlio Dinis agora em 2024.

Qualquer um destes livros merece uma atenção especial no blog e o que prometo é que todos (à excepção do mencionado de não-ficção) terão uma publicação dedicada num futuro próximo. Os rascunhos estão prontos e ordenados, é só aguardar que eles hão-de chegar eventualmente. 2023 foi um bom ano mas acredito que 2024 vai ser ainda melhor. Nem me estou a reconhecer a mim própria nesta perspectiva tão optimista mas também é bom variar. Para todos os que estão desse lado, desejo um excelente ano com leituras óptimas, paz, saúde, amor e todos aqueles clichés básicos que tanta falta fazem quando não os temos. Vai ser bom, acreditem!

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